Operar um roteiro de sete noites no litoral brasileiro é entre 40% e 50% mais caro do que no Caribe, no Mediterrâneo ou nas Ilhas Canárias, de acordo com executivos de companhias de cruzeiro que participaram do Seminário LIDE Turismo.

O alto custo da operação nacional foi o principal entrave debatido entre representantes da Costa, MSC, NCL e CLIA durante o evento, que aconteceu nesta quarta-feira (10/6), em São Paulo.

Segundo Dario Rustico, presidente-executivo para as Américas da Costa Cruzeiros, essa diferença tarifária é o que afasta embarcações que poderiam atuar no país fora do período de verão.

Ele disse que as taxas portuárias, as tarifas de praticagem, o preço do combustível e a complexidade tributária prejudicam o país na concorrência com outros destinos, impedindo a vinda de mais navios.

O executivo defendeu ainda extinção da palavra “temporada” na América do Sul para atrair o excedente de navios internacionais.

“Não tem temporada no Caribe, na Ásia ou na Europa, onde as pessoas navegam a -10°C em janeiro. Temos os ingredientes na mesa, mas falta liderança. Falta uma sala de controle, ambição e visão de desenvolvimento”, cobrou.

“A sazonalidade limita quem quer investir. O Caribe está saturado, não tem mais para onde mandar navios lá”, afirmou Rustico.

Abismo na penetração de mercado

operar cruzeiro no Brasil
Dario Rustico (esquerda) e Adrian Ursilli (direita) participaram do encontro

A desvantagem competitiva e de infraestrutura se reflete no volume de passageiros. Marcos Ferraz, presidente executivo da CLIA no Brasil, apresentou dados mostrando que o mercado global fechou o último ano com 37,3 milhões de cruzeiristas, mas a América do Sul atraiu apenas 1,2 milhão desse total.

Enquanto o mercado dos Estados Unidos atinge uma taxa de penetração de 6% da sua população, o índice no Brasil é de apenas 0,35%.

“Se a gente chegar a 1%, a gente triplica o setor no país e temos plenas condições de chegar lá”, projetou Ferraz.

A estimativa da associação para a próxima operação de cabotagem é saltar de 675 mil para 830 mil passageiros transportados, movimentando, junto com os navios internacionais, R$ 6 bilhões.

Portos de carga e energia em terra

MSC Seaview

A infraestrutura dos portos brasileiros também foi apontada no seminário como um gargalo crítico do setor. Os executivos apontaram que terminais de passageiros do país ainda dividem espaço com operações de carga, não comportando as dimensões dos navios mais recentes.

A tendência é que o descompasso entre infraestrutura e embarcações cresça ainda mais nos próximos anos, com a criação de exigências ambientais globais.

Dados da CLIA apontam que, até 2028, 72% da frota mundial contará com shore power, um sistema que permite aos navios conectar-se à rede elétrica de terra, desligando seus motores durante as escalas e eliminando emissões nesse período.

Enquanto os portos brasileiros fornecem apenas derivados do diesel marítimo, as embarcações ainda adotarão diferentes tipos de combustível, com opções como o GNL (gás natural liquefeito) e o metanol.

MSC Cruzeiros planeja utilizar shorepower em mais portos na Europa e EUA

Retenção no turismo interno e operações na Amazônia

Apesar das altas taxas e das barreiras portuárias, o índice de aprovação de 90% dos hóspedes brasileiros sustenta a operação das armadoras no país.

Adrian Ursilli, diretor-geral da MSC Cruzeiros no Brasil, destacou o papel dos navios na injeção direta de dinheiro nos destinos nacionais de escala.

“Através da operação de cabotagem, conseguimos reter o turista dentro do território nacional. Embarcando em Santos, Itajaí ou Paranaguá, ele viaja pelo Nordeste e Sudeste, consumindo e fazendo investimentos diretos”, explicou.

De acordo com dados apresentados durante o evento, a MSC domina atualmente cerca de 70% do mercado nacional e trará cinco navios para a próxima temporada.

MSC Divina PromoAção
MSC Divina é uma das novidades da MSC para a temporada 2026/2027

O destaque da estação serão as estreias do MSC Virtuosa e do MSC Divina, além do retorno do MSC Musica e do MSC Seaview.

Parte do Grupo MSC Cruzeiros, a Explora Journeys também passará a operar no Brasil nas próximas temporadas, realizando viagens pontuais para a região da Amazônia.

“As dificuldades existem, notamos que o avanço é lento e o futuro às vezes é incerto, mas nós continuamos acreditando no potencial de consumo e no desejo do brasileiro de viajar”, concluiu.

Marca de luxo da MSC, Explora Journeys estreia no Brasil em 2027

Texto (©) Copyright Daniel Capella (com informações de LIDE) / Imagens (©) Copyright Daniel Capella e LIDE