
O projeto do novo terminal de passageiros do Porto de Santos, no Valongo, ganhou um caminho alternativo para sair do papel — e pode começar a ser construído já no início de 2027.
A novidade foi anunciada pelo deputado estadual Paulo Alexandre Barbosa, que revelou que a Autoridade Portuária de Santos (APS) pode financiar a obra por conta própria, sem precisar aguardar o leilão do terminal de contêineres Tecon Santos 10 (STS-10), cujo cronograma segue indefinido por causa de disputas no Tribunal de Contas da União (TCU).
Como noticiado anteriormente pelo Portal World Cruises, as autoridades esperavam que o certame fosse realizado até o final de 2025. Assim, o novo terminal poderia passar a operar já na temporada 2029/2030.
Até então, a construção da base do novo terminal — a laje e o píer no Valongo — vinha sendo planejada exclusivamente como uma contrapartida para o vencedor do leilão do Tecon 10.
Com o certame sendo judicializado e sem data confirmada, o cronograma para a inauguração do terminal de passageiros enfrenta incertezas e deve sofrer atraso considerável.
Deputado revela avanço em reunião com presidente da APS

As declarações foram feitas durante a edição desta segunda-feira (8/6) do Conexão Porto & Indústria, programa apresentado por Alex Frutuoso na Record Litoral e Vale.
“Tive uma reunião hoje com o presidente da autoridade portuária, o Anderson Pomini, e nós avançamos nesse tema”, disse Paulo Alexandre.
O deputado explicou que, anteriormente, a principal hipótese era ter a obra parcialmente financiada pelo vencedor do STS-10.
“Ou seja, quem ganhar o leilão daquele terminal de contêineres teria que fazer o investimento ali de R$ 1,2 bilhão“, disse Barbosa durante entrevista ao programa.
APS pode bancar a obra por conta própria

Uma segunda hipótese, no entanto, está sendo agora discutida pelas autoridades: o aporte de recursos pela própria Autoridade Portuária de Santos.
“Como o leilão do Tecon Santos 10 acabou sendo postergado em função de judicialização e uma série de questões, nós apontamos um caminho alternativo”, disse o deputado.
Paulo Alexandre afirmou que a sugestão foi acolhida pela APS, que realizaria a obra independentemente do leilão do terminal de contêineres.
“Então isso vai ser feito. O presidente da autoridade portuária assumiu esse compromisso. Agora, o encaminhamento à Antaq será feito, com um estudo de viabilidade técnica e econômica, o EVTEA, para análise”, explicou.
Contrato pode ser assinado ainda este ano

O deputado disse que o estudo deve ser encaminhado à agência em julho e, em seguida, enviado ao Tribunal de Contas da União.
“Esse contrato deve ser assinado até o final do ano. A boa notícia é que, se sair o Tecon 10, ótimo, quem ganhar faz a obra. Se não sair, a autoridade portuária tem dinheiro em caixa para executar a obra do terminal de passageiros”, concluiu Paulo Alexandre.
“Ou seja, nós vamos ter o terminal de passageiros sendo transferido do Macuco para o Valongo. Esse é o nosso objetivo.”
Anteriormente, o tempo necessário para a finalização do projeto e transferência da operação havia sido estimado em seis anos, com quatro para construção de infraestrutura básica e outros dois para finalização do terminal.
Terminal vai dobrar capacidade e estender temporada, diz deputado

O deputado destacou ainda que o projeto irá dobrar a capacidade de recepção de passageiros da cidade, que hoje é de 1,2 milhão por ano.
“Vamos ter um terminal com edifício garagem, com passarela e escada rolante, à altura do que representa o maior porto da América Latina”, disse.
✅ Clique aqui para seguir o canal do Portal World Cruises no WhatsApp!
Paulo Alexandre ressaltou também que a obra permitirá estender a temporada nacional de cruzeiros, que atualmente acontece entre os meses de novembro e abril.
“Em vez de seis meses, vamos passar para o ano inteiro. Isso vai gerar mais emprego de Bertioga até Peruíbe”, disse Barbosa, destacando a geração de renda para toda a região.
Com a possibilidade de financiamento pela APS, a obra deve começar já no início de 2027, acrescentou o deputado.
O que é o novo terminal de cruzeiros de Santos e como o projeto chegou até aqui

O novo terminal de passageiros do Porto de Santos será construído no Valongo, bairro vizinho ao centro da cidade, em substituição à estrutura atual do Macuco.
Além do investimento de R$ 1.2 bilhão citado pelo debutado, o projeto prevê o aporte de outros R$ 568 milhões pela Concais, empresa que administra o terminal hoje.
O projeto foi inspirado no novo terminal da MSC Cruzeiros em Miami, nos EUA, e prevê capacidade para receber três navios simultaneamente, com acesso direto por meio de fingers climatizados — eliminando o transporte de passageiros por ônibus entre berços, um dos principais gargalos da operação atual.
O complexo contará com edifício-garagem com mais de mil vagas, passarela de acesso, áreas de check-in, lojas e alimentação. O conceito central do projeto é o fluxo contínuo: os passageiros chegam, fazem check-in e embarcam sem esperas prolongadas.
O Portal World Cruises revelou os detalhes do projeto em setembro do ano passado, após apresentação feita pelo projetista Ivan Jardim e pela ex-diretora do Concais, Sueli Martinez, ao setor de turismo da Baixada Santista. Leia a reportagem completa aqui.
‘Copia e cola’ de Miami: conheça os segredos do projeto do novo terminal de cruzeiros de Santos
Processo se arrasta desde 2019

A ideia do novo terminal pouco antes de uma mudança no Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDz) do Porto de Santos, aprovada e 2020. Na ocasião, com o objetivo de concentrar atividades turísticas no centro, área mais adequada para a atividade, a APS solicitou um estudo de viabilidade sobre a mudança à Concais.
Desde então, o passou por diversas etapas, incluindo a possibilidade de uso da área do atual terminal da Ecoporto no Valongo, sem avanços mais significativos.
Mais recentemente, a Antaq aprovou a mudança da área de concessão da Concais, eliminando uma etapa burocrática do processo.
No acórdão nº 728/2025, a agência definiu também a engenharia financeira para a obra, destacando que a construção de cais e berços de atracação é de responsabilidade do poder concedente (ainda que repassada para a iniciativa privada como prevê a hipótese de financiamento atrelada ao STS-10).
Texto (©) Copyright Daniel Capella (com informações de Conexão Porto & Indústria) / Imagens (©) Copyright Daniel Capella e Concais













