O Costa Concordia chegou a ser o maior navio de cruzeiros a operar no Brasil. Na temporada quando estreou no país, a 2009/2010, o navio da Costa Cruzeiros bateu o recorde de tamanho no país, com suas 115 mil toneladas e capacidade para 3,7 mil passageiros.

Como principal estrela da estação que também contou com o Costa Magica e o Costa Victoria, o Concordia realizou roteiros para Santos, Rio de Janeiro e Salvador entre o fim de 2009 e o início de 2010.

Dois anos depois, o mesmo navio naufragou parcialmente na costa da Itália em um dos maiores desastres da história moderna dos cruzeiros. O acidente, que vitimou 32 pessoas, voltou às telas com o documentário “Naufrágio: Pesadelo do Costa Concordia”, lançado pela Netflix em julho de 2026.

Costa Concordia
Costa Concordia havia sido comissionado há 20 anos, em 2006

O Portal World Cruises acompanhou o Costa Concordia desde sua chegada ao Brasil até sua última viagem rumo ao desmanche em Gênova. Esta é a história completa do navio.

O navio que bateu recordes no Brasil

Quando o Costa Concordia atracou em Santos em dezembro de 2009, era o maior navio já operado em águas brasileiras. Com 114.500 toneladas brutas e capacidade para 3.780 passageiros em 1.500 cabines, o navio superava qualquer embarcação que havia visitado o país até então.

Comissionado em 2006, o Concordia era o navio inaugural de uma nova classe da Costa Cruzeiros — a Classe Concordia — que também incluía os gêmeos Costa Serena e Costa Pacifica. Os três navios foram projetados para simbolizar a união dos povos europeus, com interiores assinados pelo arquiteto de hospitalidade Joe Farcus.

Átrio do Costa Concordia
Átrio do Costa Concordia, com sua decoração inspirada no Mediterrâneo, mar que une os portos europeus e que testemunhou o naufrágio do Costa Concordia

Com seu estilo inconfundível, Farcus era conhecido por o que chamava de “arquitetura de entretenimento”, que trazia elementos marcantes, chamativos e que criavam uma espécie de imersão em temas específicos.

O átrio principal do Concordia tinha luminárias inspiradas em anêmonas e corais, que representavam o Mar Mediterrâneo – o corpo d’água que uniu a Europa. O restaurante Club Concordia prestava homenagem ao pintor holandês Piet Mondrian. O teatro evocava a tradição grega da dramaturgia. Cada espaço do navio era uma referência à cultura europeia.

Teatro do Costa Concordia
Teatro Athene a bordo do Costa Concordia, que homenageava a tradição grega na dramaturgia 

Entre os diferenciais técnicos estavam duas piscinas com teto de vidro retrátil e o Samsara Spa, considerado uma das maiores áreas de bem-estar em alto-mar da época — dois andares, jardim de inverno e piscina de talassoterapia.

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A temporada no Brasil: de Santos ao Nordeste

O Costa Concordia chegou ao Brasil em 4 de dezembro de 2009, aportando em Recife durante sua travessia entre Savona, na Itália, e Santos. A viagem durou 18 noites e passou por oito portos, incluindo Lisboa e Funchal, antes de alcançar o litoral brasileiro.

Quatro dias depois, o navio atracou em Santos para seu primeiro embarque em águas nacionais — o maior navio a fazer isso até então. A escala inaugural do Concordia em Santos aconteceu em um dia de quatro escalas, marcada por chuvas fortes.

Costa Concordia em escala inaugural em Santos
Costa Concordia visto deixando Santos após sua escala inaugural, que foi marcada por fortes chuvas

A programação incluía:

  • Roteiros rumo ao Nordeste foram a maioria dos itinerários, com embarques em Santos e Rio de Janeiro, passando por Salvador, Ilhéus e Búzios.
  • Mini-cruzeiros pelo Sudeste, que incluíram uma série de viagens de três e quatro noites visitando destinos como Ilhabela, Búzios e Angra dos Reis.
  • Embarques em Salvador, permitindo a passageiros do Nordeste embarcar na capital baiana para visitar os destinos no Sudeste do roteiro regular do navio.

Durante sua passagem pelo país, o navio recebeu também um temático incomum: o “Navio do Centenário”, que celebrou os 100 anos do Sport Club Corinthians. Como noticiado pelo site na época, o posterior naufrágio levou rivais a provocarem o time paulista, enquanto reforçavam a segurança de seus próprios temáticos.

O Costa Concordia permaneceu no Brasil por cerca de quatro meses, se despedindo de Santos em 11 de março de 2010, antes de retornar ao Mediterrâneo. Foi sua única temporada brasileira.

O naufrágio em Giglio

Na noite de 13 de janeiro de 2012, menos de dois anos após deixar o Brasil, o Costa Concordia naufragou parcialmente na costa da Itália.

O navio realizava um cruzeiro de inverno pelo Mediterrâneo quando se aproximou da Ilha de Giglio em manobra não autorizada. O comandante Francesco Schettino ordenou a passagem do navio a apenas 300 metros da costa — uma prática conhecida como showboating, na qual navios se aproximavam da ilha para saudar a população local.

Naufrágio do Costa Concordia
Navio da Costa Cruzeiros naufragou em Giglio, na Itália

O navio bateu em rochas submersas, abrindo um rombo no casco. Com o costado danificado, o Concordia tombou sobre o lado esquerdo e encalhou próximo à costa da ilha. Das aproximadamente 4.200 pessoas a bordo, 32 morreram.

Os italianos eram maioria dos hóspedes a bordo, seguidos por alemães, franceses e espanhóis. Um grupo de 57 brasileiros, entre tripulantes e passageiros, também estava no navio no momento do naufrágio.

Na época, a evacuação do navio foi amplamente criticada pela mídia local. Veículos locais disseram que o comandante Schettino abandonou o navio antes dos passageiros. Apesar de desmentir as afirmações, o comandante foi condenado posteriormente a 16 anos de prisão pela Justiça italiana.

A Costa Cruzeiros cancelou imediatamente todos os cruzeiros do Concordia e anunciou opções de remarcação e reembolso para os passageiros que tinham reservas futuras.

A operação de salvamento — e o fim do navio

O Costa Concordia ficou encalhado em Giglio por mais de dois anos, enquanto decisões sobre seu futuro eram tomadas. Junto à sua matriz Carnival Corporation, a Costa Cruzeiros patrocinou uma operação de salvamento completa, que foi uma das mais complexas da história da engenharia naval.

Em setembro de 2013, o navio foi reflutuado em uma operação chamada parbuckling — um processo inédito de endireitamento e flutuação de uma embarcação desse porte. A operação custou aproximadamente dois bilhões de euros, inteiramente financiados pela companhia de cruzeiros e sua matriz.

Costa Concordia embarca em sua última viagem após ser reflutuado
Costa Concordia parte de Giglio após ser reflutuado em projeto bilionário

Chegou a especular-se que o navio pudesse ser salvo após a operação, voltando a estaleiro para um projeto de reconstrução que aproveitaria partes do casco e superestrutura. A Carnival Corporation, no entanto, optou por desmanchar o navio e encerrar sua história.

Assim, em julho de 2014, o Concordia partiu de Giglio em sua última viagem — rebocado, lentamente, rumo a Gênova, na Itália. Quatro dias depois chegou ao estaleiro San Giorgio del Porto, onde foi completamente desmontado nos anos seguintes.

O desmanche durou até 2017. As imagens dos interiores do navio após o naufrágio — salões de festas inclinados, restaurantes cobertos de lama, a ponte de comando corroída pelo mar — tornaram-se documentos históricos de um dos maiores acidentes marítimos do século XXI.

Flutuando, Costa Concordia inicia última jornada, com destino a Gênova onde será desmontado

O documentário da Netflix

O interesse pelo Costa Concordia voltou em julho de 2026 com o lançamento do documentário “Naufrágio: Pesadelo do Costa Concordia” na Netflix.

A produção propõe uma perspectiva imersiva do incidente, com imagens inéditas da colisão e do emborcamento do navio, além de entrevistas com sobreviventes que descrevem a evacuação caótica.

É o terceiro documentário da Netflix sobre incidentes em cruzeiros desde 2025, após a série sobre o Cruzeiro do Cocô a bordo do Carnival Triumph e a minissérie sobre o desaparecimento de Amy Bradley a bordo do Rhapsody of the Seas.

“Pesadelo do Costa Concordia”: Netflix lança novo documentário imersivo sobre o naufrágio de navio

O legado da Classe Concordia no Brasil

Apesar do fim trágico do navio que deu nome à série, a Classe Concordia continuou sendo uma presença constante no Brasil nos anos seguintes. Os gêmeos do Concordia — Costa Serena, Costa Pacifica, Costa Favolosa e Costa Fascinosa — realizaram diversas temporadas no país ao longo da década seguinte.

O Costa Favolosa e o Costa Fascinosa estrearam no Brasil em dezembro de 2012 — o mesmo ano do naufrágio — e realizaram múltiplas temporadas no país. Em 2026/2027 o país recebe o Costa Serena, um dos navios da série que menos operaram na região.

Costa Fascinosa
Com nove temporadas nacionais cada, o Costa Fascinosa (foto) e o Costa Favolosa são os navios da classe com mais temporadas no Brasil

De acordo com o ranking exclusivo do Portal World Cruises, recorde de maior navio da história das temporadas brasileiras que o Concordia estabeleceu não durou muito e foi superado ainda antes do naufrágio.

Dois navios maiores estiveram no Brasil já na temporada 2010/2011: o Costa Serena e o Mariner of the Seas. O Costa Pacifica também o ultrapassou no ranking em 2011/2012.

Com a estreia da Classe Fantasia em águas nacionais, a MSC Cruzeiros assumiu protagonismo no ranking a partir de 2012/2013, com navios como o MSC Preziosa e o MSC Fantasia. Estes foram posteriormente superados pelas embarcações das classes Seaside e Meraviglia, também da MSC.

Ranking: conheça os maiores navios de cruzeiro a navegar no Brasil

Texto (©) Copyright Daniel Capella / Imagens (©) Copyright Daniel Capella, Costa Cruzeiros, the Parbuckling Project e Rvongher