A Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados realiza uma audiência pública nesta quarta-feira (8/7) para discutir os desafios burocráticos, trabalhistas e de infraestrutura que afetam a indústria de cruzeiro no Brasil.

De acordo com a agência de notícias da Câmara, o debate ocorre em meio à expectativa de queda de 25% na oferta da próxima temporada nacional.

A reunião contará com a presença de representantes do Itamaraty e do Ministério do Trabalho, além do presidente executivo da CLIA no Brasil, Marco Ferraz.

Para o deputado Eduardo Bismarck, autor do requerimento da audiência, a retração do setor está diretamente ligada aos entraves burocráticos do país.

Brasília
Câmara dos Deputados discute a indústria de cruzeiros no Brasil em agenda especial

O parlamentar destaca as dificuldades na emissão de vistos para passageiros e tripulantes estrangeiros como um dos principais obstáculos.

Outro ponto central da discussão é a legislação trabalhista. Bismarck classifica a regra atual, que exige cota de 30% de brasileiros na tripulação, como “muito fechada”, forçando a troca constante do que chama “profissionais altamente especializados.”

“A gente precisa ter uma percepção de que, para atrair mais navios para a nossa costa, a gente precisa ter uma flexibilidade sobre esse assunto”, explicou.

A forma como a Receita Federal taxa o patrimônio das embarcações e os lucros gerados a bordo, como as operações de lojas e restaurantes, também foi apontada pelo parlamentar como um fator que afasta as companhias que operam roteiros internacionais.

Expansão para o Nordeste e sazonalidade

chegada MSC Fantasia Salvador
Deputados querem mais navios visitando capitais do Nordeste, incluindo Salvador, na imagem

A audiência ainda irá debater o que a Câmara classificou como uma “descentralização dos roteiros no Brasil.” A agência afirmou que, hoje, as operações se concentram no Sul e Sudeste, tendo Santos e Rio de Janeiro como os principais polos de embarque.

Bismarck defende a criação de incentivos fiscais e de promoção turística para viabilizar uma rota permanente no Nordeste, interligando capitais como Salvador e Fortaleza.

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“A gente tem Salvador e Maceió, como portos importantes no Nordeste, porque eles estão mais próximos do Sul e do Sudeste. Estão na rota pela questão de proximidade”, disse Bismark.

O parlamentar ressalta que a costa brasileira tem potencial para receber embarcações o ano inteiro, contornando o problema da sazonalidade, que hoje restringe as operações ao verão.

“Nós estamos perdendo navios hoje que passam muitas vezes por outros países da América do Sul, ao longo da nossa costa, sem parar em nenhuma cidade do Brasil”, declarou.

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Impacto econômico e reversão do cenário

De acordo com os dados apresentados pela Câmara dos Deputados, o Brasil ocupa a décima posição global na emissão de cruzeiristas. Na 2024/2025, a indústria movimentou cerca de R$ 5,5 bilhões e atendeu 800 mil passageiros no país.

Segundo Bismark, o mercado gera forte impacto imediato nas cidades de escala com o desembarque de um único navio igualando a chegada de 15 a 20 aviões comerciais em um só dia.

O deputado avalia que o “primeiro dever de casa” do governo é atuar para reverter a perda de 25% na próxima temporada. No entanto, como a indústria de cruzeiros trabalha com vendas e planejamentos antecipados, Bismarck estima que uma recuperação efetiva do mercado nacional só ocorrerá a partir de dezembro de 2027.

Inconsistência de expectativas

futuro dos cruzeiros no Brasil
Santos é o principal porto para embarques no Brasil

Apesar das afirmações da Comissão de Turismo, a expectativa do mercado é de uma temporada de recuperação em 2026/2027.

Dados da CLIA no Brasil apontam para um aumento de cerca de 24% na oferta nacional durante a estação, que começa no final de outubro.

Uma pesquisa independente do Portal World Cruises corrobora as informações, apontando um crescimento de 42% no número de leitos no mercado.

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Texto (©) Copyright Daniel Capella (com informações de Câmara dos Deputados) / Imagens (©) Copyright Daniel Capella