
A 8ª edição do Fórum CLIA Brasil começou na manhã desta quarta-feira (26/8), na sede da Confederação Nacional de Municípios (CNM), em Brasília. A cerimônia de abertura focou no papel do setor para o cenário nacional do turismo e no potencial de expansão das operações no país.
Os convidados ainda abordaram oportunidades de crescimento, destacando também desafios estruturais e regulatórios a serem superados.
O painel inaugural teve como um dos focos principais a presença de Bud Darr, presidente e CEO da CLIA Global, além do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.
Visão do Ministério do Turismo e salto na oferta
Em rápida participação, Feliciano trouxe números do setor turístico, destacando o papel da atividade como indutor de desenvolvimento.
O ministro disse que a atividade é um vetor econômico de transformação que gera emprego, renda e principalmente dignidade para a população.
Feliciano disse que os cruzeiros marítimos têm uma atuação importante dentro desse contexto, servindo também como integradores de destinos.

“Os cruzeiros trazem integração, já que turista não fica em um destino só, mas visita várias cidades e regiões”, acrescentando que os navios visitarão mais cidades, com roteiros ampliados.
“Acabei de receber um dado extraordinário, que é o crescimento de 25% do número para a próxima temporada”, disse. Com um navio a mais em relação à estação anterior, a temporada 2026/2027 contará com oito embarcações em águas nacionais.
“A gente sabe a importância que os cruzeiros têm na captação de turistas porque o gasto é maior, ele vai além”, acrescentou.
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Alerta de competitividade e otimismo global
Já o presidente da CLIA Global, Bud Darr, destacou o potencial do mercado e as oportunidades de crescimento, além da relação com autoridades e comunidades.
Darr destacou o momento da indústria no mundo, mas pontuou que o mercado nacional precisa realizar adequações para garantir um ritmo de crescimento sustentável.
“Temos de confirmar que o Brasil vai conseguir sua parte justa no crescimento da indústria”, disse ele, acrescentando que, globalmente, o setor deve crescer cerca de 7% anualmente no futuro próximo.
“Não há motivo para o Brasil não poder crescer a essa taxa, ou até mais, se continuarmos a criar o ambiente certo e os incentivos certos para as companhias de cruzeiro voltarem, atenderem aos hóspedes aqui e trazerem cada vez mais passageiros”, explicou.
Darr destacou o potencial não realizado do país, dizendo que a situação é semelhante na Austrália, e que um mercado não precisa ser o de maior destaque para garantir crescimento.
“Se eu só tiver dez navios na minha companhia de cruzeiros, esses dez navios irão para os dez melhores itinerários em relação à viabilidade econômica. Você só não pode ser o 11º, porque aí o navio não vem”, acrescentou.
Sinais de melhora
O executivo ressaltou ainda o impacto econômico da indústria de cruzeiros no último ano e a importância desse vetor para economias em desenvolvimento.
“Queremos ajudar essa comunidade, tanto no que diz respeito aos aspectos terrestres e aos benefícios econômicos que são gerados no interior para a produção agrícola e as cadeias de suprimentos, até os marinheiros que estão fazendo o trabalho a bordo do navio e mantendo esse trabalho. Tudo isso enquanto provemos ótimas experiências aos hóspedes, com excelente valor”, acrescentou.
“O que precisamos fazer é trabalhar juntos para garantir que o Brasil não apenas receba a sua parte de volta, a qual ele perdeu, e aqueles de vocês que estavam aqui no ano passado sabem”, disse Darr, referindo-se à diminuição da oferta local na temporada 2025/2026.

“Eu emiti um alerta muito claro: que os sinais de perigo estavam lá, de que estávamos indo na direção errada. Nós vimos uma queda de 20% ano a ano na capacidade neste mercado onde a demanda é, na verdade, muito alta. O que isso diz? Os custos, o ambiente regulatório, as outras coisas que o tornam operacionalmente viável não estavam se alinhando”, disse.
Darr disse que os sinais agora apontam para uma direção oposta, de recuperação, destacando seu entusiasmo com a situação. “Esses 836 mil passageiros que tivemos no Brasil são uma fração muito, muito pequena do mercado como um todo, um lugar que tem um enorme potencial não explorado”.
“Estou muito otimista em relação ao Brasil, mas temos que manter o ambiente adequado para que essa viabilidade operacional esteja presente”.
Embaixadores do Brasil e impacto nas comunidades
O mercado brasileiro apresenta uma alta demanda reprimida e índices elevados de satisfação, fatores que jogam a favor do país nas mesas de decisão das armadoras.
A cerimônia ainda contou com a participação de Marco Ferraz, presidente executivo da CLIA no Brasil, e Estela Farina, presidente do conselho da entidade.
“Nós conhecemos o potencial do Brasil, conhecemos a força da nossa cadeia e sabemos que esse momento exige clareza”, disse Farina.
“A nossa indústria é feita de pessoas e impacta pessoas. Nós impactamos as suas famílias, os seus negócios e as suas histórias. Toda vez que um navio chega num porto a gente transforma vidas. As vidas de quem visita são transformadas, com aprendizado, com novas culturas. Mas a vida de quem recebe também é impactada positivamente”, acrescentou.

Ferraz destacou o papel dos diretores das companhias de cruzeiro em âmbito nacional, chamando-os de embaixadores do país para as empresas de navegação.
“Eles fazem os business plans e eles concorrem com business plans de outros lugares, como Caribe, Europa, Austrália. Então a gente precisa ajudar essas empresas, esses diretores a vencerem esses business plans”, disse. Ferraz disse que a fotografia que eles estão tirando hoje vai se traduzir em mais ou menos navios na nossa temporada.
A abertura reuniu também representantes de associações e do governo, incluindo Ana Carolina Medeiros (ABAV Nacional), Fabiano Camargo (Braztoa), Marina Marinho (Fornatur), Alexandre Sampaio (CNC), Philipe Ricciopo Karat (Embratur) e Luis Antonio Sobrinho (InvestSP).
O Fórum CLIA Brasil 2026
O 8º Fórum CLIA Brasil 2026 acontece ao longo desta quarta-feira (26/8), em Brasília, reunindo autoridades governamentais, executivos das principais armadoras e representantes de terminais portuários em painéis sobre infraestrutura, regulação e novos terminais.
O Portal World Cruises realiza a cobertura do evento ao vivo, diretamente da capital federal. Acompanhe as atualizações em nosso site e nas redes sociais.
CLIA no Brasil divulga programação completa de painéis para o seu 8º Fórum em Brasília
Texto e Imagens (©) Copyright Daniel Capella













