A indústria de cruzeiros global vem avançando na adoção de tecnologias para redução de emissões, mas a modernização ainda esbarra em limitações estruturais na América do Sul.

O tema foi abordado no estudo de perfil e impactos econômicos da CLIA no Brasil em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) que foi lançado, em Brasília, durante o 8º Fórum CLIA Brasil.

Segundo o levantamento, mais de 65% da frota global associada já está preparada para utilizar a energia elétrica de terra, em um sistema conhecido como shorepower.

O documento projeta que o número continuará em expansão, com estimativa de que cerca de 80% de toda a capacidade global esteja preparada para utilizar a tecnologia até o ano de 2028.

A FGV apontou, no entanto, um déficit estrutural no mercado brasileiro, que não conta com nenhum porto no Brasil pronto para oferecer energia elétrica aos cruzeiros na atualidade.

futuro cruzeiros no Brasil
Cerca de 65% da frota nacional já está apta a usar a tecnologia

Esse descompasso obriga as embarcações a manterem os motores e geradores a combustível fóssil ligados ininterruptamente durante as atracações no país, disse o estudo. A prática afeta diretamente a eficiência comercial das operações portuárias, acrescentou a FGV.

O uso contínuo dos motores gera despesas atreladas ao consumo de combustíveis marítimos, reduzindo a rentabilidade de cada escala.

“Para os terminais de cruzeiros, a implantação da tecnologia permitiria substituir a geração de energia a bordo durante a atracação pelo fornecimento da rede terrestre, reduzindo o consumo de combustível e, consequentemente, o custo operacional das escalas”, afirma o estudo.

Com os geradores ligados continuamente, os navios acabam emitindo poluentes atmosféricos continuamente enquanto atracados, concluiu a FGV.

Estudo da FGV e CLIA no Brasil aponta impacto de R$ 4,7 bilhões dos cruzeiros no Brasil e prevê forte alta na oferta

Cruzeiros são líderes em tecnologia ambiental, diz presidente global da CLIA

abertura Fórum CLIA Brasil
Bud Darr disse que o país tem oportunidades de crescimento

Durante sua participação no 8º Fórum CLIA Brasil, o presidente global da CLIA, Bud Darr, disse que a indústria dos cruzeiros vem registrando “grande progresso” em sua busca por sustentabilidade.

“Somos absolutamente os líderes mundiais na implantação de tecnologia ambiental a bordo de navios. Não há outro setor que chegue perto do que a indústria de cruzeiros faz”, afirmou.

Mais de 60% dos navios em encomenda e 77% da capacidade futura irá operar com combustíveis alternativos. Nosso objetivo é buscar o zero líquido (net zero) até 2050″, acrescentou Darr.

O presidente destacou, no entanto, que os avanços dependem também de integração com destinos e governos. “A colaboração com as comunidades locais é muito importante. Isso tudo só funciona se nós tivermos desenvolvido e cultivado relações significativas e de confiança com os stakeholders e as comunidades”, concluiu.

⇒ Leia também: MSC Cruzeiros planeja utilizar shorepower em mais portos na Europa e EUA

MSC Cruzeiros planeja utilizar shorepower em mais portos na Europa e EUA

Texto e Imagens (©) Copyright Daniel Capella