
A expansão do mercado de cruzeiros e da temporada de cabotagem nacional depende de avanços estruturais que tornem o país atrativo para companhias a todo momento, disse Marco Ferraz, presidente executivo da CLIA no Brasil.
Em entrevista exclusiva com o Portal World Cruises, Ferraz afirmou que o mercado nacional não pode ser visto apenas como destino alternativo em momentos de instabilidade geopolítica no exterior.
Com diversos mercados internacionais passando por instabilidades por razões que vão desde problemas de demanda a preocupações com segurança, a entidade defende que o setor precisa de condições operacionais para fixar navios a longo prazo.
“Temos chamado mais atenção das companhias. Estamos em um momento de oportunidade, mas não podemos ser um destino só quando tem problemas no resto do mundo”, disse Ferraz, citando a vinda do MSC Seaview ao Brasil na temporada 2026/2027.

O navio da MSC Cruzeiros foi acrescido à programação do país após mudanças ocasionadas pelas tensões militares no Golfo Arábico.
“Nós temos de ser um destino pronto para qualquer momento”, acrescentou, destacando também a necessidade de estender o calendário regular.
“A temporada, de outubro, novembro a abril, a gente podia estar tentando estender um mês, chegar um mês antes ou sair um mês depois”.
Para destravar o potencial do mercado nacional, a CLIA no Brasil estruturou um plano de 15 pontos prioritários junto aos ministérios do Turismo e de Portos e Aeroportos, direcionado à redução de custos, modernização de marcos regulatórios e atração de novos investimentos.
MSC acrescenta novo navio para temporada brasileira 2026/2027
Modernização de vistos e regras do setor
Entre as principais frentes da pauta está a desburocratização da entrada de tripulantes em navios no país. A entidade conduz tratativas para simplificar a emissão de documentação, um processo que gera gargalos operacionais e custos adicionais às companhias.
“A gente está em conversação com o Ministério das Relações Exteriores para ter uma melhora de visto para os tripulantes estrangeiros que vêm para o Brasil, que ainda é um procedimento manual, um procedimento que demora, um procedimento custoso”, explicou o executivo.

O diálogo abrange também alterações normativas no Ministério da Justiça e a regulamentação de dispositivos da Lei Geral do Turismo. A proposta é equiparar as regras de cancelamentos e alterações de cruzeiros aos parâmetros da aviação.
“[Buscamos] adaptar e atualizar a regra de penalidades de venda de cruzeiros, muito em linha com a aviação. Nada diferente do que a aviação já faz”, emendou.
Outros pontos de atenção da CLIA dizem respeito à infraestrutura portuária, com a construção de um novo terminal de cruzeiros em Santos, a concessão do Porto de Itajaí e a entrada de um novo operador para o terminal de cruzeiros de Maceió.
Expansão da frota mundial
Ferraz ainda destacou que as companhias de cruzeiro filiadas à CLIA possuem dezenas de navios em encomenda, com entradas em operação para a próxima década. Para a associação, o avanço em segurança jurídica e na redução de custos é determinante para posicionar o Brasil como rota viável para essa nova tonelagem.
“São mais de 80 navios sendo construídos, que também precisam de destinos. Mexendo as coisas certas, eu acho que a gente pode colher a médio e longo prazo um número maior de navios”, concluiu Ferraz.
Fórum CLIA Brasil
A CLIA no Brasil realiza seu fórum anual em Brasília nesta quarta-feira (26/8). O evento reúne companhias de cruzeiro, autoridades e outros players para discutir o futuro do setor no país.
O Portal World Cruises estará presente no evento e faz cobertura ao vivo em seu site e redes sociais, confira nossas páginas no Facebook e Instagram.
Texto e Imagens (©) Copyright Daniel Capella













