Seis navios de cruzeiro encontram-se presos no Oriente Médio após a região se transformar em uma zona de conflito devido aos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciados em 28 de fevereiro.

De acordo com um levantamento divulgado nesta quarta-feira (4/3) pelo portal Cruise Hive, as embarcações não conseguem navegar para águas seguras porque o Estreito de Ormuz, passagem obrigatória localizada perto do Irã, está fechado para a navegação.

Além do bloqueio marítimo, os passageiros a bordo estão retidos porque os ataques aos aeroportos e o fechamento do espaço aéreo fizeram com que um retorno de avião se torne inviável no momento.

De acordo com comunicados oficiais, as companhias afetadas trabalham para garantir transporte seguro aos turistas.

Míssil próximo e repatriação (TUI Cruises)

Mein Schiff 5
Mein Schiff 5 realizava roteiros no Oriente Médio

A situação afeta diretamente duas embarcações da alemã TUI Cruises, que é filiada ao Grupo Royal Caribbean. O Mein Schiff 4 encontra-se retido em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e o Mein Schiff 5 está parado em Doha, no Qatar.

No dia 1º de março, os hóspedes do Mein Schiff 4 testemunharam a queda de um míssil no Port Zayed, em área próxima ao navio, que tem capacidade para 2.506 passageiros.

A armadora iniciou a organização de voos de repatriação, transferindo alguns hóspedes de Abu Dhabi para Dubai, onde o aeroporto retomou operações com capacidade limitada. Diversas saídas de março para ambos os navios já foram canceladas.

Retenções em Dubai e Doha (MSC, Celestyal e Aroya)

navio MSC guardas armados piratas
MSC Euribia está retido em Dubai

Outras quatro embarcações permanecem abrigadas aguardando desdobramentos:

  • MSC Cruzeiros: O MSC Euribia, com capacidade para 6.327 hóspedes, está retido em Dubai. A companhia cancelou todas as saídas restantes do mês (dias 7, 14, 21 e 28 de março) e ainda não há clareza sobre quando a embarcação poderá deixar o local em segurança.
  • Celestyal Cruises: O navio Celestyal Journey ficará atracado em Doha pelo menos até 7 de março, com passageiros podendo escolher se permanecem a bordo ou se desembarcam no porto. Já o Celestyal Discovery encontra-se em Dubai e, por instrução das autoridades locais, os hóspedes ainda não têm permissão para desembarcar. Viagens programadas de ambos os navios foram canceladas.
  • Aroya Cruises: A marca árabe mantém sua única embarcação, o Aroya, abrigada em Dubai ao lado do MSC Euribia e do Celestyal Discovery.

Com espaço aéreo fechado, brasileiros ficam ‘presos’ a bordo de navio da MSC em Dubai

Costa e AIDA previram cenário e cancelaram temporadas antecipadamente

AIDAprima
AIDAprima

O atual cenário de retenções afeta as companhias que optaram por manter suas programações no Golfo Arábico. Em contrapartida, a AIDA Cruises e a Costa Cruzeiros evitaram a zona de conflito ao tomarem uma decisão adiantada de cancelar totalmente suas temporadas 2025/2026 na região.

As companhias, que operariam respectivamente o AIDAprima e o Costa Toscana, cancelaram seus roteiros meses antes citando a instabilidade política.

Nos comunicados de cancelamento, ambas as marcas justificaram que a situação no Oriente Médio era “fluida” e não oferecia previsibilidade de segurança para o futuro próximo.

Como noticiado pelo Portal World Cruises na época, a decisão preventiva marcou a primeira vez em 20 anos que a AIDA e a Costa, pioneiras no Golfo Arábico, deixaram de operar na região.

Companhias de cruzeiro cancelam temporadas na região dos Emirados e Golfo Arábico

Texto (©) Copyright Daniel Capella (com informações de Cruise Hive) / Imagem (©) Copyright Daniel Capella e Rui Minas